«No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.» Jacques Bénigne Bossuet. (1627 - 1704)

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Origens - José Serra

Nova entrada na Biblioteca JMO

Origens
José Serra
Lançamento: Setembro 2026
Alma dos Livros
 
SINOPSE
 
O que milhares de anos de aprendizagem humana têm para nos ensinar
Aprender a aprender com o que já soubemos
Ao longo de milhares de anos, os seres humanos aprenderam a viver em estreita relação com a Terra, com as comunidades de que dependiam e com os mistérios da própria existência.
Muito antes da ciência moderna, da industrialização ou da tecnologia digital, diferentes povos desenvolveram formas sofisticadas de compreender os ciclos da natureza, produzir alimento, cuidar da saúde, transmitir conhecimento, resolver conflitos e encontrar significado para a vida.
Este livro percorre essas aprendizagens acumuladas ao longo das gerações e procura compreender o que o mundo moderno esqueceu pelo caminho. Da alimentação à espiritualidade, da agricultura à medicina tradicional, dos rituais à educação, das técnicas artesanais à relação com a natureza, mostra como muitos saberes ancestrais não eram sinais de atraso ou superstição, mas expressões de uma profunda inteligência ecológica, social e cultural.
Cruzando antropologia, história, ecologia, religião e cultura, Origens mostra como povos separados por oceanos, línguas e épocas chegaram frequentemente a conclusões semelhantes sobre uma mesma questão: como viver bem sem destruir o que torna a vida possível.
Num tempo marcado por crises ambientais, fragmentação social e perda de sentido, estas antigas aprendizagens podem ajudar-nos a imaginar formas de viver mais sustentáveis, mais equilibradas e mais humanas.
 

Colombo - Um Príncipe Português - Manuel da Silva Rosa

Nova entrada na Bibiblioteca JMO

Colombo - Um Príncipe Português
Manuel da Silva Rosa
Lançamento: Outubro 2026
Alma dos Livros
 
SINOPSE
 
Uma investigação histórica extraordinária
Uma linhagem secreta. Uma conspiração real. Cinco séculos de silêncio.
E se tudo aquilo que nos ensinaram sobre Cristóvão Colombo estivesse errado, a começar por um nome que nunca lhe pertenceu?
Durante mais de cinco séculos, acreditámos que um singular tecelão genovês chamado Colombo atravessou o Atlântico ao serviço dos Reis Católicos e, em 1492, mudou para sempre o destino do mundo.
A verdade tinha um nome condenado ao silêncio. Até alguém decidir procurá-la.
Como poderia um homem de origem tão humilde ter casado com uma comendadora da Ordem de Santiago, ligada a uma das famílias mais influentes da nobreza portuguesa? E como explicar a proximidade com reis e os conhecimentos de navegação, cartografia, cosmografia, teologia e línguas que os seus escritos revelam?
Durante trinta e cinco anos, Manuel Rosa seguiu pistas através de arquivos, genealogias, documentos régios, crónicas, cartas e testemunhos.
As datas não coincidem. Os nomes não coincidem. Surgem falsificações, interpolações e documentos incómodos, entre eles, um da própria corte castelhana que identifica Colón como português.
A investigação conduz-nos a Portugal, à ilha da Madeira e a uma figura régia desaparecida, abrindo uma hipótese inesperada sobre a verdadeira identidade de Don Cristóbal Colón e sobre as razões políticas e dinásticas que poderão ter contribuído para a manter deliberadamente oculta, que incluem os interesses das principais cortes europeias e até os do próprio Papa.
 

O Jogo da Rainha - Luís Zueco


Nova entrada na Biblioteca JMO

O Jogo da Rainha
Luís Zueco
Lançamento: Outubro 2026
Alma dos Livros

 SINOPSE

Para conquistar a coroa, é preciso mudar as regras do jogo.

Um dos momentos mais decisivos da História
O xadrez está prestes a mudar para sempre: a rainha deixará de ser uma figura secundária para se tornar a peça mais poderosa do jogo.
Castela, 1468. O reino atravessa um dos momentos mais decisivos da sua História. Após a morte de Afonso de Trastâmara em circunstâncias suspeitas, Henrique IV procura consolidar o poder e pressiona a meia-irmã Isabel, a única pessoa capaz de o superar e ameaçar o seu domínio, a aceitar a paz.
Isabel cede. Mas apenas porque sabe que as grandes partidas não se vencem com o primeiro movimento. Destinada a tornar-se Isabel, a Católica, prepara-se para disputar uma coroa num mundo governado por homens, onde cada aliança esconde uma traição e qualquer erro lhe pode custar a vida.
Entretanto, o misterioso assassinato de um nobre cruza os destinos de Gadea, uma jovem misteriosa apaixonada por xadrez, e Ruy, um cronista fascinado pela História e pelos livros. Unidos pelo acaso, iniciam uma perigosa demanda para descobrir o assassino.
A investigação conduzi-los-á ao coração das intrigas, conspirações e guerras que ameaçam a corte, enquanto Isabel aprende a mover-se como uma verdadeira mestra num jogo em que o prémio é o trono.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A Verdadeira História da Escravatura - Martin Plaut

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A Verdadeira História da Escravatura
Martin Plaut
1ª edição, setembro 2026
Clube do Autor
 
SINOPSE
 
Cinco mil anos de escravatura em África, dos faraós à atualidade.
Uma obra essencial que vem desmistificar as ideias feitas sobre a escravatura.
 
A escravatura tem devastado as sociedades africanas pelo menos desde o ano de 2500 a. C., estendendo-se do Egito ao Cabo, da Mauritânia à Somália. A maior parte do que sobre ela se tem escrito abrange apenas uma fração desta história: os horrores do tráfico de escravos através do Oceano Atlântico. No entanto, a escravatura no Oceano Índico teve dimensões comparáveis e muito maior longevidade. Alguns historiadores, por outro lado, negligenciam também as práticas esclavagistas dentro do próprio continente africano.
Desde a abolição do tráfico transatlântico, o foco internacional na «escravatura moderna» deixou os africanos que continuam ainda hoje a ser escravizados com poucos defensores. Organizações como as Nações Unidas ou a União Africana têm pudor em confrontar os dirigentes que ainda permitem esta prática.
«A culpa gerada pela escravatura e seu legado ainda atormenta a Europa e a América, e com razão. Mas esta história perturbadora da sua brutalidade estende-se de uma maneira mais profunda e vasta por toda a África até à atualidade. Este livro sagaz constitui uma análise esclarecedora e muito importante.» - The Guardian 
 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Leonor Teles - Isabel Stilwell

Estou a ler...
 
Leonor Teles
Isabel Stilwell

1ª edição Maio 2024
Editora: Planeta
 
SINOPSE
Três de rubi.
Três de diamante.
E, o maior de todos, de esmeralda.
 
Sete anéis, símbolos de poder, que passariam, um a um, das mãos do rei D. Fernando para os dedos da sua adorada mulher, como prova do seu amor e do seu desejo de a proteger. Leonor Teles não esquecia que haviam pertencido ao assassino de Inês de Castro. Mas, não, apesar de partilharem o mesmo cabelo cor de fogo, a mesma paixão pela vida e a mesma ambição pelo poder, não, Leonor não teria o mesmo destino da sua prima. Seria rainha em vida. Teria o poder nas suas mãos.
Casada, mãe de um rapaz, Leonor não se deixa ficar presa nem à vida num paço perdido, nem ao senhor de Pombeiro, seu marido. Parte para Lisboa, onde a sua beleza, inteligência e artes de sedução conquistam o coração de D. Fernando e o ódio das gentes e da nobreza que a apelidam de adúltera. O tom das críticas sobe ainda mais quando corre o rumor de que se tornou amante do Conde Andeiro. Mas Leonor tem um plano e não olhará a meios para o concretizar, nem que para isso tenha de desafiar todo um reino.

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Nova entrada na Biblioteca JMO
(Colecção Histórias de Portugal e Compêndios de História de Portugal)
HISTÓRIA DE PORTUGAL
- Com a narrativa dos factos, iconografia dos Chefes de Estado, recapitulação em questionário para a 4ª Classe do Ensino primário e Admissão aos Liceus. -

Tomás de Barros

Editora Educação Nacional de Adolfo Machado - Porto

 

sábado, 5 de setembro de 2026

O Evangelho do Enforcado - David Soares


O Evangelho do Enforcado
David Soares

1ª edição Fevereiro 2010
Editora: Saída de Emergência
 
SINOPSE
Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.

Comentário:

David Soares no “O Evangelho do Enforcado” reinterpreta os “Painéis de São Vicente” e dá “corpo” ao seu (provável) autor – Nuno Gonçalves -, em torno do que constrói uma narrativa intensa e imaginativa, onde o real e o sobrenatural se entrelaçam de forma surpreendente. combinando elementos de fantasia negra, terror, aventura histórica e reflexão filosófica. Com uma escrita cativante, apelativa e expressiva, sustentada pela criação de uma atmosfera densa de fantasia histórica  e por personagens complexas, que se movem entre a luz e a sombra, entre a redenção e a perdição, marcada pelo mistério, pela violência e pela busca de sentido para a vida e para a morte, convocando temas como a fé, o poder, o destino e a condição humana.
É um romance de fantasia histórica que desafia convenções e convida o leitor a questionar certezas, em que a literatura fantástica serve também como instrumento de reflexão sobre o ser humano e o mundo que o rodeia.

Classificação: 10/10

 

Parar o vento com as mãos - Brigid Hampton

Parar o vento com as mãos
Brigid Hampton
 
Edição/reimpressão: 08-2026
Editor: Porto Editora

 
SINOPSE
Em 1939, Fanny Reiss foge da Alemanha nazi e desembarca em Lourenço Marques com os filhos mais novos, Eva, de treze anos, e Otto, de oito. Para trás ficam o marido e o filho mais velho, cujo destino desconhece.
Em Moçambique, Fanny encontra um refúgio improvável. Mas a ameaça da deportação persiste, obrigando-a a manobras perigosas para garantir a sobrevivência da família.
À medida que crescem, Eva e Otto seguem caminhos opostos. Otto parte para o Norte em busca de aventura, envolve-se profundamente com a terra, casa com uma mulher moçambicana e acaba por ingressar no combate armado. Eva adapta-se à sociedade colonial de Lourenço Marques: frequenta o Clube de Ténis, casa com o seu instrutor – membro de uma próspera família chinesa – e cria os filhos, Luís e Sofia, entre os privilégios e as convenções da elite urbana.
Enquanto a guerra de independência se intensifica, Luís enfrenta as contradições do mundo em que cresceu. Ao envolver-se com uma jovem moçambicana de forte consciência política, vê-se dividido entre a lealdade à família e o sentido cívico e social que nele desperta.
Inspirada na história da sua própria família, Brigid Hampton constrói um romance que atravessa quatro décadas, onde reflete sobre pertença, desenraizamento e a ilusão de se poder parar o vento com as mãos.

Comentário:

Há romances que contam uma história e outros que, partindo de “memórias” familiares, narram o contexto histórico de uma época, as suas rupturas, conflitos, lutas, transformações. Marcas que perduram e condicionam as gerações seguintes. “Parar o Vento com as Mãos”, de Brigid Hampton, pertence a esta segunda categoria: é uma narrativa sobre pessoas obrigadas a atravessar fronteiras, físicas e interiores, procurando um lugar a que possam chamar casa.
Inspirada nas “memórias” da família da autora, a narrativa acompanha quatro décadas de profundas transformações políticas e sociais, partindo da Europa ameaçada pelo nazismo e chegando a uma África em processo de descolonização. Entre a Alemanha, Lourenço Marques e o Norte de Moçambique, o romance constrói conta a história de família atravessada por guerras, migrações, diferenças culturais, relações amorosas e conflitos de consciência moral e política.
“Parar o Vento com as Mãos”, não se limita a contar as “memórias” da família, o vento que atravessa estas páginas é também o vento da própria História, que é também “personagem” no desenvolvimento da narrativa. A intensificação da guerra de independência de Moçambique transforma progressivamente o ambiente em que as personagens vivem. A sociedade colonial, com os seus privilégios, hierarquias e convenções, confronta-se com a inevitabilidade de mudança da conjuntura histórica. Assim Brigid Hampton, transforma as “memorias” da sua família num poderoso romance histórico.

Classificação: 9/10

sábado, 22 de agosto de 2026

ESTEIROS - Soeiro Pereira Gomes

Nova entrada na Biblioteca JMO
Feira do Livro do Porto /2026
 

ESTEIROS
Soeiro Pereira Gomes

3ª edição
Editora: Publicações Europa-América

O homem que ri - Victor Hugo

Nova entrada na Biblioteca JMO
Feira do Livro do Porto /2026
(obra em 6 volumes agrupados em  2 Vol`s)
Ano de Edição: 1899
Coleção: Os romances célebres
Local de Edição: Lisboa
Editora: Empreza da História de Portugal Sociedade Editora 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

MAGALHÃES E A AVE-DO-PARAÍSO - João Morgado


MAGALHÃES E A AVE-DO-PARAÍSO
João Morgado
Editor: Clube do Autor
Edição: julho 2026
 
SINOPSE
 
AVENTURAS, INTRIGAS, ANGÚSTIAS E ALEGRIAS DE UMA FIGURA ÍMPAR DA NOSSA HISTÓRIA
"Não, não, não!". Foram estas as palavras que D. Manuel I devolveu a Fernão de Magalhães quando este lhe pediu um aumento. Afinal merecia, já tinha dado meia-volta ao mundo. Queria ver os seus méritos reconhecidos. "Não!" E se o rei de Castela lhe desse ouvidos, o levasse a sério, acreditasse na sua coragem e tenacidade para partir numa viagem de circum-navegação?
João Morgado apresenta um romance inovador em que a ficção e a História se entrelaçam harmoniosamente e que permite ao leitor descobrir a vida intensa de Fernão de Magalhães, numa viagem no tempo, com a segurança de que, ao segui-la passo-a-passo, encontrará o que de mais verosímil se conhece sobre esta viagem histórica e sobre este homem que marcou a história da Humanidade.
Este livro completa a Trilogia dos Navegantes, que mergulha nas águas profundas da História portuguesa, depois de ter dado voz a Pedro Álvares Cabral em Vera Cruz
E a Vasco da Gama em Índias.
 
***
«Este livro tem uma lição de história fortíssima.» - João Paulo Oliveira e Costa, historiador e romancista

Comentário:

Magalhães e a Ave-do-Paraíso, de João Morgado, transporta-nos para a Trinidad, nau capitânia na extraordinária viagem de circum-navegação, ao lado de Fernão de Magalhães, um homem determinado, movido pelo desejo de descoberta e de provar que era possível encontrar uma nova rota para as ilhas das especiarias. A viagem enfrentou: tempestades, fomes, conflitos, doenças, a morte.
João Morgado recriar o espírito de uma época marcada pela ambição, pela coragem, pela descoberta e também pelos perigos de um mundo ainda largamente desconhecido. numa narrativa com um ritmo envolvente, aproxima o leitor das personagens e das dificuldades enfrentadas pelos homens que participaram nesta epopeia humana.  Sempre com um rigor histórico, numa combinação perfeita entre História e ficção, permite ao leitor imaginar os ambientes, os lugares e as emoções daqueles navegadores. Transforma os factos históricos numa experiência sensorial para o leitor. Faz-nos viver as incertezas, as inseguranças, os medos, sentir a esperança, a coragem e resiliência dos que viveram esta grande aventura, permitindo-nos compreender melhor o preço humano das grandes descobertas e convidando-nos a refletir sobre a coragem, a ambição e a persistência que levaram os homens do século XVI a procurar novos horizontes.
Uma boa leitura para quem aprecia romances históricos, mas também para quem quer conhecer, através da literatura, uma das páginas mais extraordinárias da História dos Descobrimentos.

Classificação: 10/10

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Um nobre, um frade e um camponês entram numa taberna - Paulo M. Dias


Um nobre, um frade e um camponês entram numa taberna
Histórias inesperadas do Portugal medieval
Paulo M. Dias
Edição: 06-2026
Editor: Ideias de Ler

SINOPSE
Um nobre, um frade e um camponês entram numa taberna… e é desse encontro improvável que nasce uma viagem pelo Portugal medieval e dos inícios da Modernidade.
Neste livro, o passado apresenta-se como um mosaico de pequenas histórias que revelam episódios curiosos, inesperados e, muitas vezes, surpreendentemente próximos das experiências do presente. Entre a micro-história e a narrativa social, estas páginas dão voz a gente comum e a figuras (geralmente) anónimas, com relatos de aprendizagem e ignorância, medo e sobrevivência, justiça e prisão, doença, guerra e catástrofes naturais.
Relatando acontecimentos individuais e enquadramentos mais amplos da sociedade medieval – como os comportamentos da nobreza ou o uso de alcunhas
– Paulo M. Dias procura iluminar um período frequentemente mal compreendido, com o rigor científico que se impõe, mas mostrando que a História pode ser tão fascinante como divertida.

Comentário:

Com uma escrita clara, rigorosa e envolvente, Paulo M. Dias convida o leitor a descobrir um Portugal medieval muito diferente daquele que habitualmente encontramos nos manuais de História. Em vez de se centrar apenas em reis, batalhas e grandes acontecimentos, o autor, numa sequência de “episódios” uns trágicos, outros dramáticos e alguns humoristicos, dá a conhecer o quotidiano de nobres, religiosos, camponeses e outras figuras anónimas que deram vida à sociedade medieval.
Cada capítulo apresenta episódios curiosos e surpreendentes que revelam os costumes, as crenças, a justiça, a guerra, a doença, o medo e as formas de sobrevivência de uma época frequentemente marcada por estereótipos. Através da micro-história, o autor demonstra que pequenos acontecimentos podem ser tão reveladores quanto os grandes factos históricos, aproximando o leitor de uma Idade Média profundamente humana.
Um dos maiores méritos da obra reside na capacidade de conciliar o rigor da investigação histórica com uma narrativa acessível e cativante. A leitura decorre de forma fluida, despertando constantemente a curiosidade e mostrando que a História pode ser simultaneamente séria, divertida e fascinante.
Um nobre, um frade e um camponês entram numa taberna é uma excelente leitura para todos os interessados na História de Portugal, em particular na Idade Média. Ao desfazer mitos e revelar histórias inesperadas, Paulo M. Dias oferece uma perspetiva renovada sobre o passado, lembrando-nos que a História é feita não apenas pelos grandes protagonistas, mas também pelas pessoas comuns que viveram o seu tempo e contribuíram para moldar a sociedade portuguesa.

Classificação:  10/10