«No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.» Jacques Bénigne Bossuet. (1627 - 1704)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Um de Nós Deve Lembrar-se - João Pedro Marques

Nova entrada na Biblioteca JMO

Um de Nós Deve Lembrar-se
João Pedro Marques
Edição/reimpressão: 05-2026
Editor: Porto Editora
 
SINOPSE
No fim da década de 1960, ser jovem no Restelo significava sofrer por amor, ansiar pelo primeiro carro, demorar-se com os amigos nos cafés, vibrar com a nova música dos Beatles ou com um filme italiano. Mas era também fazer tudo isto com a certeza de que, para eles, o fim da adolescência seria marcado pelo serviço militar e a partida para a guerra colonial, e, para elas, pelo casamento e a maternidade. No dia-a-dia, ser jovem durante os primeiros anos do marcelismo não era muito diferente do que é hoje, não fosse esta uma geração a viver com a certeza de que os bons tempos da juventude poderiam terminar com a morte algures em África, numa guerra longínqua, mas muito presente na vida de todos.
Em Um de Nós Deve Lembrar-se, Luís Ashley, Ema Torres, Papi, Teresa Monteiro, Batata e várias outras personagens – reais e fictícias – vivem os derradeiros anos de uma adolescência agitada nesse bairro privilegiado de Lisboa. Entre sonhos de futuro, jantares bem regados e os hilariantes ou dilacerantes episódios próprios da idade, oferecem ao leitor o retrato de um tempo interior comum a todos nós, embora vivido num ambiente político e social muito particular. Este romance de João Pedro Marques é uma viagem a um passado não muito remoto, no qual, apesar da ditadura, os mais novos insistiam em querer construir o próprio futuro sob o sol brilhante do Restelo.

 

Orlanda - Jacqueline Harpman

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Orlanda
de Jacqueline Harpman
Edição/reimpressão: 05-2026
Editor: Livros do Brasil

SINOPSE

Na gare du Nord, em Paris, Aline Berger aguarda o comboio que a levará de volta a casa, em Bruxelas. Nas mãos, tem um exemplar de Orlando, de Virginia Woolf, e o seu espírito, incapaz de se concentrar na leitura, divaga. Como seria se pudesse habitar o corpo de um homem? E se o corpo desse homem fosse o daquele jovem a umas mesas de distância? Depois de trinta e cinco anos aprisionado, Orlanda, o seu alter ego, liberta-se e instala-se no que antes fora Lucien, alegremente provocando o caos na sua anterior existência e alterando de forma dramática aquelas duas vidas. Distinguido com o Prémio Médicis em 1996 e agora redescoberto, este é um engenhoso romance filosófico que explora o modo como um e outro sexo ocupam o mundo, num sonho andrógino que, depois de Eu Que não Conheci os Homens, confirmou a genialidade de Jacqueline Harpman.

 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Portugal Adiado - Arnaldo Madureira

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Portugal Adiado
Origens e persistências do atraso económico português
Arnaldo Madureira
Editor: Clube do Autor
Data de Lançamento: abril 2026
 
COMO CRESCEU E ESTAGNOU A ECONOMIA
PORTUGUESA AO LONGO DOS SÉCULOS?
Portugal adiado, de Arnaldo Madureira, analisa, de uma forma crítica e acessível, as estruturas políticas, económicas e culturais que moldaram a economia portuguesa ao longo do tempo, determinando o seu atraso em comparação com outros países. Longe de explicações simplistas ou fatalistas, a obra aborda como a ausência de uma visão estratégica, a gestão de curto prazo e a captura do Estado por interesses diversos comprometeram o desenvolvimento do país.
Entre decisões adiadas, reformas incompletas e uma cultura política onde a expectativa frequentemente substituiu o planeamento, construiu-se um modelo de fragilidade persistente. A esta realidade juntaram-se condicionantes externas decisivas, com potências como a Espanha, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos a influenciarem escolhas estratégicas fundamentais.
Com linguagem clara e abordagem rigorosa, este livro convida o leitor a compreender o passado para interpretar o presente — e a questionar as bases sobre as quais se projeta o futuro económico de Portugal.
 

Olhai os lirios do campo - Círculo de Leitores

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Olhai os lirios do campo
Erico Veríssimo

Círculo de Leitores

SINOPSE

Olhai os lírios do campo é um romance poderoso e comovente que convida à reflexão sobre os valores autênticos da vida. No livro, Eugênio Fontes recebe uma chamada do hospital que o alerta para o estado de saúde grave de Olívia. Na viagem até ao hospital evoca o seu passado: a infância infeliz e pobre, os traumas vividos na escola e em casa, o desejo de se tornar um homem rico…
É graças aos sacrifícios dos pais que acede a uma educação de excelência e entra na Faculdade de Medicina, onde conhece o amor da sua vida, Olívia.
Incapaz de assumir a relação com a colega de turma, Eugênio casa com a filha de um grande empresário, passa a viver de aparências, adultérios e eternas contradições. Mas será que o passado ficará para sempre lá atrás? 

O Degrau 33 - Luís Zueco

Estou a ler...

O Degrau 33
Luís Zueco
 
Editora: Alma dos Livros
Edição: Abril 2026
 
SINOPSE
Madrid, 2012
 
Silvia leva uma vida serena e previsível. Trabalha na Biblioteca Nacional, partilha o quotidiano com um sólido grupo de amigas e encontra refúgio, noite após noite, nas páginas dos livros antigos, que coleciona com verdadeira devoção. Mas essa tranquilidade desfaz-se no instante em que um manuscrito enigmático chega às suas mãos. Um documento cuja origem é tão obscura como perigosa — e que mudará para sempre o rumo da sua vida.
Aquilo que não sabemos é mais forte do que aquilo que tememos.
Quando Silvia percebe que está a ser seguida e que a sua vida corre verdadeiro perigo, não lhe resta alternativa senão pedir ajuda a Alex, um especialista em castelos medievais. Juntos, embarcam numa investigação que os levará a percorrer vários castelos, decifrando símbolos, mensagens ocultas e pistas gravadas na própria arquitetura. Uma corrida contra o tempo em que terão de fugir de ladrões de arte, enfrentar polícias experientes e escapar de assassinos sem escrúpulos, dispostos a tudo para proteger um segredo antigo.

 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Os Heroes de 1640 - Olympio de Freitas

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Os Heroes de 1640

Olympio de Freitas

1888 / David Corazzi – Editor

 

O Código Fundamental da Nação Portuguesa (Carta Constitucional e Acto Adicional)

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O Código Fundamental da Nação Portuguesa

(Carta Constitucional e Acto Adicional)

Secção Editorial da Companhia Nacional Editora / 1901

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

A História Secreta dos Reis de Portugal - Pedro Rabaçal

Nova entrda na Biblioteca JMO

A História Secreta dos Reis de Portugal
Factos insólitos sobre a Coroa Portuguesa
Pedro Rabaçal
Editora: Alma dos Livros
Edição: Fevereiro 2026
 
Sinopse
Vidas exemplares? Ou nem tanto?
A História Secreta dos Reis de Portugal está longe de ser apenas uma sucessão de datas e conquistas. É um enredo vibrante, humano e surpreendente, tecido com casamentos por conveniência, paixões proibidas, conspirações palacianas, fidelidades improváveis e traições fatais. Entre batalhas, coroas e juramentos, escondem-se vidas de excessos, profunda devoção religiosa, luxúria desmedida e solidão absoluta.
Alguns reis foram boémios encantadores, poetas e amantes da boa vida; outros, visionários destemidos que disputaram amores à espada e, reza a lenda, comeram o coração dos inimigos. Houve os que governaram com disciplina ao romper da aurora e os que jamais mostraram vocação para o trono. Entre vícios, virtudes e temperamentos extremos; de amantes incansáveis a maridos surpreendentemente fiéis; de excomungados e fanáticos a tímidos, cruéis, depressivos, frouxos ou brilhantes, estes homens, divididos entre o poder e o prazer, acabaram por moldar o destino do país.
De gestos heroicos e misérias humanas, de camas desfeitas a batalhas sangrentas, os reis e rainhas de Portugal surgem aqui despidos de mitos, revelados na sua grandiosidade e nas suas fraquezas. 
Um retrato fascinante e inesperado daqueles que foram, durante séculos, a força vital do reino – por vezes sábio, por vezes desastroso, mas sempre intensamente humano.
Neste livro, viajamos pelos segredos e curiosidades da monarquia portuguesa para descobrir:
Que rei português foi o mais amado pelo povo?
Qual reinou durante mais tempo? E qual viveu mais anos?
Que monarca português foi oficialmente assassinado?
Por que razão, a partir de certa data, nenhum monarca voltou a usar a Coroa Real?
Que rei quis iluminar Lisboa? E que rainha o conseguiu?
Um livro para quem gosta de História, mas, sobretudo, para quem adora descobrir o lado desconhecido dos reis e rainhas de Portugal.
 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O Som das Vagas - Yukio Mishima

O Som das Vagas
Yukio Mishima
Edição/reimpressão: 03-2026
Editor: Livros do Brasil
 
SINOPSE
Shinji Kubo é um jovem pescador pobre, que sustenta com o seu trabalho a mãe viúva e o irmão adolescente, na pequena ilha de Uta-jima. Um dia, ao chegar ao porto, ao entardecer, vê na praia uma rapariga desconhecida, que descansa após ajudar a trazer os barcos para terra, e não consegue desviar dela o olhar. A rapariga, Hatsue Miyata, acabara de regressar à ilha, mandada chamar pelo pai, um proprietário de barcos, decidido a adotar o marido com quem ela se casar. Os dois jovens encontram-se e estremecem, mas atingidos pela maledicência dos aldeões, e em particular de um outro rapaz, considerado um melhor partido para Hatsue, restam-lhes os bilhetes secretos, os encontros fugazes e o código moral daquela porção de terra envolta nas trevas para lhes resguardar a felicidade. Sobre o pano de fundo de um Japão tradicional, onde a força do mar ecoa as durezas da vida, O Som das Vagas é uma história de resiliência e honra, sobre o poder redentor do amor puro.

Comentário:

Um romance de rara beleza e intensidade, O Som das Vagas, de Yukio Mishima, transporta o leitor para uma pequena ilha piscatória do Japão, onde a simplicidade da vida quotidiana contrasta com a profundidade dos sentimentos humanos. 
A narrativa acompanha o jovem pescador Shinji e Hatsue, filha de uma família respeitada da ilha. Entre ambos nasce um amor puro, mas sujeito às intrigas, aos preconceitos sociais e às dificuldades impostas pela comunidade. Mishima constrói uma história aparentemente simples, mas carregada de simbolismo, onde o mar assume um papel central: é fonte de sustento, força da natureza e metáfora da vida e do destino.
A escrita de Mishima destaca-se pela elegância poética e pela capacidade de descrever a natureza com grande sensibilidade. O leitor sente o vento marítimo, o som das ondas e o silêncio das noites na ilha, numa atmosfera quase contemplativa. Ao contrário de outras obras mais sombrias e intensas do autor, o Som das Vagas revela um lado mais sereno e humanista, celebrando a juventude, a honra, a coragem e a autenticidade dos sentimentos.
Mais do que uma simples história de amor, O Som das Vagas é um romance sobre amor, respeito, dignidade e resistência perante as adversidades. É um romance intemporal, capaz de emocionar pela sua beleza simples e pela universalidade dos sentimentos que retrata.

Classificação: 10/10

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

As Mulheres de Afonso III - Maria Antonieta Costa


As Mulheres de Afonso III
Maria Antonieta Costa
1ª Edição: Fevreiro 2026
Editor: Clube do Autor
 
Sinopse
A história de um rei dividido entre o dever da coroa e a urgência do desejo.
Neste romance histórico, o trono de Portugal é observado através das sombras em que viveram as mulheres que amaram, temeram e desafiaram D. Afonso III.
Mas quem era o homem por trás das cortinas do poder?
Que mulheres marcaram a sua vida e influenciaram o seu reinado?
E quem pagou o preço das suas escolhas, na corte e no reino?
Um romance histórico original sobre um reinado determinante através dos relatos das mulheres que ajudaram a construir Portugal. Aqui, narram os seus sonhos, os seus corpos usados como moeda de troca ou como território de prazer. Falam das noites em que não dormiram e das guerras que travaram sem nunca empunhar uma espada.

Comentário:

O romance As Mulheres de Afonso III, de Maria Antonieta Costa, insere-se na tradição do romance histórico português, mas distingue-se pela perspetiva adotada: a história não é centrada no rei D. Afonso III, mas nas “sombras do poder” as mulheres que gravitaram em torno do seu poder.
A autora constrói uma narrativa que explora o contraste entre o dever régio e o desejo pessoal, apresentando um rei dividido entre a razão de Estado e as suas paixões. Contudo, o maior mérito da obra está na inversão do olhar histórico: são as vozes femininas — frequentemente silenciadas pela historiografia tradicional — que ganham protagonismo e reinterpretam o reinado a partir das margens do poder.
Essas mulheres surgem como figuras complexas, não apenas como amantes ou peças políticas, “moeda” de alianças, “objecto” de prazer, revelando a dureza da condição feminina na Idade Média.  Mas antes como mulheres com vontade, sofrimento e estratégias próprias.
Do ponto de vista literário, a escrita de Maria Antonieta Costa privilegia uma abordagem sensorial e intimista, aproximando o leitor das emoções e dilemas das personagens. A recriação histórica é consistente, sustentada pelo conhecimento académico da autora, mas nunca se sobrepõe à dimensão humana da narrativa. O resultado é um equilíbrio eficaz entre rigor histórico e dramatização ficcional.
Em síntese, As Mulheres de Afonso III é um romance que revisita a História de Portugal através de uma lente feminina e emocional, valorizando personagens frequentemente esquecidas. Mais do que um retrato de um rei, é uma reflexão sobre poder, desejo e o preço invisível das decisões políticas pago, muitas vezes, por quem não empunhava a espada, mas sofria as suas consequências.
 
Classificação: 9/10 

A GRANDE RUPTURA - Miguel Monjardino


A GRANDE RUPTURA

Miguel Monjardino
Professor de Geopolítica e Geoestratégica
Edição ou reimpressão: 18/02/2026
Chancela: Clube do Autor 
 
SINOPSE
Para Miguel Monjardino, estamos a viver a Grande Rutura. Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin e os seus aliados têm interesse em desmantelar a atual ordem internacional. Os proprietários de redes sociais e de grandes empresas tecnológicas partilham o mesmo objetivo para poderem aumentar a riqueza pessoal e concretizar as suas utopias tecnológicas. Esta é a hora dos novos Grandes Conquistadores.
O que intriga um ensaísta de política internacional são os possíveis futuros. Estes dependem sempre das consequências do passado histórico e das circunstâncias políticas do presente. Todavia, o que realmente acontece quando não temos o benefício do distanciamento que a passagem do tempo nos dá, nem toda a informação necessária para tentar compreender um determinado problema e ter
Uma opinião informada sobre ele?
 Até 2030, os contornos de uma nova ordem internacional devem ficar mais claros. Assim, o nosso principal desafio em Portugal e em muitos países europeus deverá ser interrogarmo-nos sobre o porquê destes factos, interpretá-los e formular as primeiras decisões de uma forma esclarecida. 

Comentário:
Em a Grande Ruptura, Miguel Monjardino analisa as profundas transformações na ordem internacional e os sinais de fragmentação do sistema global tal como o conhecemos.
Líderes como Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin surgem como protagonistas de uma fase de disputa estratégica que poderá redefinir equilíbrios políticos, económicos e militares.
O autor reflete ainda sobre o papel das grandes potências tecnológicas e sobre os desafios que Portugal e a U.E. - União Europeia, enfrentam perante a possível configuração de uma nova ordem mundial até 2030.
Uma leitura essencial para compreender equilíbrios políticos, económicos e militares e transformações na ordem internacional no século XXI.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Breve Interpretação da História de Portugal - António Sérgio

Nova entrada na Biblioteca JMO
(Cloleção "Histórias de Portugal e Compêndios de História de Portugal")

Breve Interpretação da História de Portugal
António Sérgio 
Editor: Livraria Sá da Costa Editora
Edição: abril de 1998

SÉRGIO, António (1983) Breve interpretação da história de Portugal. Edição crítica orientada por Castelo Branco Chaves, Vitorino Magalhães Godinho, Rui Grácio e Joel Serrão e organizada por Idalina Sá da Costa e Augusto Abelaira. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora.

“Breve interpretação da história de Portugal é uma brilhante síntese da história portuguesa, uma análise dos seus principais fenómenos, onde ao rigor da informação, se alia a lucidez e a pertinência do pensamento de António Sérgio. Esta obra que se pode considerar inovadora na historiografia portuguesa foi inicialmente publicada em Espanha em 1929, quando o autor se encontrava exilado em França. O texto em português que agora se publica pela primeira vez é a transposição rigorosa de um original encontrado no espólio do autor. Este texto é, tal como o autor explica nas suas «Duas palavras de advertência», mais completo do que o da versão espanhola, o que naturalmente acontece não só por razões políticas, mas também resultado de uma posterior revisão.”