«No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.» Jacques Bénigne Bossuet. (1627 - 1704)

terça-feira, 30 de junho de 2026

História do Rei Transparente - Rosa Montero

Estou a ler...

História do Rei Transparente
Rosa Montero
Edição/reimpressão: 05-2026
Editor: Porto Editora
 
SINOPSE
No turbulento século XII, numa Europa marcada por guerras feudais, cruzadas e fervor religioso, Leola é apenas uma jovem camponesa condenada a uma vida de miséria.
Quando a guerra lhe rouba todos os homens da aldeia, toma uma decisão invulgar, motivada pela raiva: disfarçar-se com a armadura de um cavaleiro morto para se proteger da violência que a rodeia – escolha que a lança numa jornada incerta.
É nesse caminho que se cruza com figuras inesperadas: um cavaleiro caído em desgraça, um mestre de armas implacável e Nyneve, uma mulher enigmática que afirma conhecer as antigas lendas de Merlin, do rei Artur e da ilha de Avalon, um lugar mítico no qual só existem mulheres e onde a esperança resiste.
Entre territórios devastados, cidades inquietas e cortes dominadas por debates sobre Amor, Deus e Poder, Leola enfrentará perdas e transformações profundas, tornando-se mais do que uma fugitiva disfarçada. Entretanto, há algo que a persegue – a História do Rei Transparente, um relato que parece carregar em si uma maldição para quem o pronuncia.
No meio do caos, uma pergunta permanece: até onde se pode ir para conquistar a própria liberdade?
 

Breve História da Cultura Ocidental - Fernando Gonçalves

Breve História da Cultura Ocidental

A História, o pensamento e a arte, da Antiguidade até aos dias de hoje
Fernando Gonçalves
Edição/reimpressão: 05-2026
Editor: Ideias de Ler
 
SINOPSE
O GUIA INDISPENSÁVEL PARA LEITORES CURIOSOS QUE QUEREM COMPREENDER, NUM SÓ LIVRO, SÉCULOS DE CRIAÇÃO E DE PENSAMENTO.
 
Num mundo que muda à velocidade de um clique e em que tudo parece efémero, surge a necessidade de nos reconectarmos com aquilo que nos sustenta – a cultura.
Breve História da Cultura Ocidental é um convite a esse reencontro. Da Grécia Antiga à atualidade, revisitamos a cultura ocidental, não como uma sucessão de factos e datas, mas como a herança viva que molda a nossa forma de ser e de ver o mundo.
Além disso, conhecemos ideias e pensamentos que transformaram mentalidades e sociedades, filosofias e religiões, passando por grandes obras e nomes da literatura, artes cénicas e visuais, cinema, pintura e música.
De forma acessível, envolvente e atual, a obra aproxima o leitor dos grandes temas, reacende a chama da curiosidade e lembra que a cultura não é luxo, mas uma necessidade.

Comentário:
Com a “Breve História da Cultura Ocidental”, Fernando Gonçalves propõe uma viagem ambiciosa através de mais de dois milénios de história, conduzindo o leitor desde a Antiguidade Clássica até aos desafios culturais do século XXI.
Apresenta a cultura ocidental como uma herança viva, construída por sucessivas gerações de pensadores, artistas, escritores, cientistas e líderes religiosos. Ao longo das suas páginas, encontramos referências fundamentais à cultura da Grega, ao legado cultural de Roma, ao Cristianismo, ao Renascimento, ao Iluminismo e às grandes transformações sociais e intelectuais da modernidade, estabelecendo pontes entre diferentes épocas e correntes de pensamento.
A escrita é fluida e envolvente, revelando uma evidente paixão pelo conhecimento e pela divulgação cultural. O autor não pretende apenas informar; procura despertar a curiosidade do leitor e incentivá-lo a explorar mais profundamente os autores, obras e períodos que marcaram a civilização ocidental. Nesse sentido, o livro cumpre uma importante função pedagógica, servindo simultaneamente como obra de referência e convite à descoberta.
Em suma, Breve História da Cultura Ocidental é um livro esclarecedor, bem estruturado e acessível, que oferece uma visão panorâmica do percurso histórico, artístico e intelectual do Ocidente.

Classificação: 10 / 10

terça-feira, 23 de junho de 2026

Um nobre, um frade e um camponês entram numa taberna - Pedro M. Dias

Nova entrada na Biblioteca JMO

Um nobre, um frade e um camponês entram numa taberna
Histórias inesperadas do Portugal medieval
Pedro M. Dias
Edição: 06-2026
Editor: Ideias de Ler

SINOPSE
Um nobre, um frade e um camponês entram numa taberna… e é desse encontro improvável que nasce uma viagem pelo Portugal medieval e dos inícios da Modernidade.
Neste livro, o passado apresenta-se como um mosaico de pequenas histórias que revelam episódios curiosos, inesperados e, muitas vezes, surpreendentemente próximos das experiências do presente. Entre a micro-história e a narrativa social, estas páginas dão voz a gente comum e a figuras (geralmente) anónimas, com relatos de aprendizagem e ignorância, medo e sobrevivência, justiça e prisão, doença, guerra e catástrofes naturais.
Relatando acontecimentos individuais e enquadramentos mais amplos da sociedade medieval – como os comportamentos da nobreza ou o uso de alcunhas
– Paulo M. Dias procura iluminar um período frequentemente mal compreendido, com o rigor científico que se impõe, mas mostrando que a História pode ser tão fascinante como divertida.

sábado, 6 de junho de 2026

365 dias com histórias da História de Portugal - Luís Almeida Martins

Nova entrada na Biblioteca JMO

365 dias com histórias da História de Portugal
Luís Almeida Martins
Editor: Ideias de Ler
Data de Lançamento: Maio 2026

Do jornalista e divulgador de temas históricos, Luís Almeida Martins.
A História de Portugal servida em pequenas doses… cheias de grandes surpresas.
Uma história por dia, com sete temas por semana, durante 52 semanas: assim se faz este guia pelos episódios mais marcantes – e também mais insólitos – da História de Portugal. Ao longo de cada conjunto semanal, vai encontrar grandes acontecimentos e pequenos detalhes que moldaram o país, conhecer protagonistas fascinantes, reviver guerras e batalhas memoráveis, mergulhar em revoluções e conspirações e espreitar intrigas de alcova, paixões proibidas e traições reais. Há, ainda, espaço para mitos, lendas e mistérios que atravessam séculos, assim como para episódios ligados às artes e monumentos que definem a nossa identidade cultural.
O convite é simples e irresistível: bastam poucos minutos diários para embarcar, com leveza e curiosidade, numa viagem extraordinária de 365 dias com histórias da História de Portugal.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Sopro do Destino - Maria Amália

O Sopro do Destino

Maria Amália

Publicação: NoTag / 2026

SINOPSE

Júlia vive uma vida tranquila em Vila Nova de Milfontes com o filho, Edu, e o apoio de António, aquele que há mais de vinte anos considera seu pai. Simultaniamente, em Lisboa, um homem recebe o contacto da Agência de Segurança para a qual trabalha, no sentido de integrar a «Operação Ómega», A situação mundial é caótica e as ameaças assustadoramente reais.
É assim, entre investigações, perigos iminentes e sentimentos recalcados, que segredos antigos surgem à tona e ameaçam todo um equilibrio tão cuidadosamente construido é aquilo que parece...

Comentário:
Em ” O Sopro do Destino ”,  Maria Amália conta duas estórias, tecendo em cada estória com uma teia de mistério e suspense, numa narrativa envolvente centrada nas escolhas humanas e na influência que os traumas e as decisões do passado exercem sobre a vida de cada um. Ao longo da obra, a autora explora temas como o amor, a superação, a esperança e a capacidade de enfrentar as adversidades, mostrando que cada acontecimento ou decisão pode alterar o rumo da vida e deixar marcas com consequências na vida dos outros.
Com uma linguagem acessível e emotiva, que aproxima o leitor dos sentimentos e conflitos vividos pelas personagens. A construção psicológica das personagens permite compreender os seus medos, sonhos e desafios, tornando a história mais realista e cativante.

Classificação: 8/10

 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Um de Nós Deve Lembrar-se - João Pedro Marques

Um de Nós Deve Lembrar-se
João Pedro Marques
Edição/reimpressão: 05-2026
Editor: Porto Editora
 
SINOPSE
No fim da década de 1960, ser jovem no Restelo significava sofrer por amor, ansiar pelo primeiro carro, demorar-se com os amigos nos cafés, vibrar com a nova música dos Beatles ou com um filme italiano. Mas era também fazer tudo isto com a certeza de que, para eles, o fim da adolescência seria marcado pelo serviço militar e a partida para a guerra colonial, e, para elas, pelo casamento e a maternidade. No dia-a-dia, ser jovem durante os primeiros anos do marcelismo não era muito diferente do que é hoje, não fosse esta uma geração a viver com a certeza de que os bons tempos da juventude poderiam terminar com a morte algures em África, numa guerra longínqua, mas muito presente na vida de todos.
Em Um de Nós Deve Lembrar-se, Luís Ashley, Ema Torres, Papi, Teresa Monteiro, Batata e várias outras personagens – reais e fictícias – vivem os derradeiros anos de uma adolescência agitada nesse bairro privilegiado de Lisboa. Entre sonhos de futuro, jantares bem regados e os hilariantes ou dilacerantes episódios próprios da idade, oferecem ao leitor o retrato de um tempo interior comum a todos nós, embora vivido num ambiente político e social muito particular. Este romance de João Pedro Marques é uma viagem a um passado não muito remoto, no qual, apesar da ditadura, os mais novos insistiam em querer construir o próprio futuro sob o sol brilhante do Restelo.

Comentário:

Um de Nós Deve Lembrar-se, de João Pedro Marques, é uma obra que combina memória, ficção e reflexão histórica para retratar a juventude portuguesa no final da década de 1960, durante os primeiros anos do marcelismo. “Conta-nos como foi” a vivência de um grupo de jovens com os seus conflitos próprios da adolescência, (e da passagem para a idade adulta), os primeiros amores, as amizades, os sonhos de futuro e o desejo de liberdade — enquanto enfrenta a sombra constante da guerra colonial e das limitações impostas pela ditadura.
Um dos aspetos mais marcantes da obra é a forma como o autor recria o ambiente social e cultural da época. Através de personagens diversas, algumas inspiradas em figuras reais e outras ficcionais, o romance oferece um retrato vivo de uma geração que procurava construir a sua identidade num contexto político repressivo. A narrativa evidencia o contraste entre a aparente normalidade da vida quotidiana e a consciência permanente de que o futuro podia ser interrompido pelo serviço militar e pela guerra em África.
Em “Um de Nós Deve Lembrar-se”, João Pedro Marques, “conta-nos como foi”, com nostalgia, mas  com atenção aos detalhes históricos, sem deixar de explorar as emoções, os sentimentos, as preocupações, ilusões e ou desilusões. O autor consegue transmitir simultaneamente o entusiasmo, a ingenuidade e as inquietações dos jovens protagonistas, tornando a leitura acessível tanto para quem viveu aquele período como para as gerações mais novas. A dimensão autobiográfica presente na obra contribui para a autenticidade das personagens e das situações retratadas.
Em síntese, Um de Nós Deve Lembrar-se é um romance  que vai além da simples evocação do passado. A obra convida o leitor a refletir sobre adolescência e a passagem para a idade adulta e o impacto que o contexto histórico exerce sobre as escolhas individuais. Ao recuperar um período marcante da história portuguesa, João Pedro Marques constrói uma narrativa sensível e envolvente, capaz de despertar simultaneamente nostalgia, reflexão e interesse pelo passado recente de Portugal. Por tudo isto não é só um romance de memórias é também um “documento histórico”.
Classificação: 10/10