«No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.» Jacques Bénigne Bossuet. (1627 - 1704)

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O Sopro do Destino - Maria Amália

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O Sopro do Destino

Maria Amália

Publicação: NoTag / 2026

SINOPSE

Júlia vive uma vida tranquila em Vila Nova de Milfontes com o filho, Edu, e o apoio de António, aquele que há mais de vinte anos considera seu pai. Simultaniamente, em Lisboa, um homem recebe o contacto da Agência de Segurança para a qual trabalha, no sentido de integrar a «Operação Ómega», A situação mundial é caótica e as ameaças assustadoramente reais.
É assim, entre investigações, perigos iminentes e sentimentos recalcados, que segredos antigos surgem à tona e ameaçam todo um equilibrio tão cuidadosamente construido é aquilo que parece...
 

Um de Nós Deve Lembrar-se - João Pedro Marques

Um de Nós Deve Lembrar-se
João Pedro Marques
Edição/reimpressão: 05-2026
Editor: Porto Editora
 
SINOPSE
No fim da década de 1960, ser jovem no Restelo significava sofrer por amor, ansiar pelo primeiro carro, demorar-se com os amigos nos cafés, vibrar com a nova música dos Beatles ou com um filme italiano. Mas era também fazer tudo isto com a certeza de que, para eles, o fim da adolescência seria marcado pelo serviço militar e a partida para a guerra colonial, e, para elas, pelo casamento e a maternidade. No dia-a-dia, ser jovem durante os primeiros anos do marcelismo não era muito diferente do que é hoje, não fosse esta uma geração a viver com a certeza de que os bons tempos da juventude poderiam terminar com a morte algures em África, numa guerra longínqua, mas muito presente na vida de todos.
Em Um de Nós Deve Lembrar-se, Luís Ashley, Ema Torres, Papi, Teresa Monteiro, Batata e várias outras personagens – reais e fictícias – vivem os derradeiros anos de uma adolescência agitada nesse bairro privilegiado de Lisboa. Entre sonhos de futuro, jantares bem regados e os hilariantes ou dilacerantes episódios próprios da idade, oferecem ao leitor o retrato de um tempo interior comum a todos nós, embora vivido num ambiente político e social muito particular. Este romance de João Pedro Marques é uma viagem a um passado não muito remoto, no qual, apesar da ditadura, os mais novos insistiam em querer construir o próprio futuro sob o sol brilhante do Restelo.

Comentário:

Um de Nós Deve Lembrar-se, de João Pedro Marques, é uma obra que combina memória, ficção e reflexão histórica para retratar a juventude portuguesa no final da década de 1960, durante os primeiros anos do marcelismo. “Conta-nos como foi” a vivência de um grupo de jovens com os seus conflitos próprios da adolescência, (e da passagem para a idade adulta), os primeiros amores, as amizades, os sonhos de futuro e o desejo de liberdade — enquanto enfrenta a sombra constante da guerra colonial e das limitações impostas pela ditadura.
Um dos aspetos mais marcantes da obra é a forma como o autor recria o ambiente social e cultural da época. Através de personagens diversas, algumas inspiradas em figuras reais e outras ficcionais, o romance oferece um retrato vivo de uma geração que procurava construir a sua identidade num contexto político repressivo. A narrativa evidencia o contraste entre a aparente normalidade da vida quotidiana e a consciência permanente de que o futuro podia ser interrompido pelo serviço militar e pela guerra em África.
Em “Um de Nós Deve Lembrar-se”, João Pedro Marques, “conta-nos como foi”, com nostalgia, mas  com atenção aos detalhes históricos, sem deixar de explorar as emoções, os sentimentos, as preocupações, ilusões e ou desilusões. O autor consegue transmitir simultaneamente o entusiasmo, a ingenuidade e as inquietações dos jovens protagonistas, tornando a leitura acessível tanto para quem viveu aquele período como para as gerações mais novas. A dimensão autobiográfica presente na obra contribui para a autenticidade das personagens e das situações retratadas.
Em síntese, Um de Nós Deve Lembrar-se é um romance  que vai além da simples evocação do passado. A obra convida o leitor a refletir sobre adolescência e a passagem para a idade adulta e o impacto que o contexto histórico exerce sobre as escolhas individuais. Ao recuperar um período marcante da história portuguesa, João Pedro Marques constrói uma narrativa sensível e envolvente, capaz de despertar simultaneamente nostalgia, reflexão e interesse pelo passado recente de Portugal. Por tudo isto não é só um romance de memórias é também um “documento histórico”.
Classificação: 10/10