«No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.» Jacques Bénigne Bossuet. (1627 - 1704)

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Leonor Teles - Isabel Stilwell

Estou a ler...
 
Leonor Teles
Isabel Stilwell

1ª edição Maio 2024
Editora: Planeta
 
SINOPSE
Três de rubi.
Três de diamante.
E, o maior de todos, de esmeralda.
 
Sete anéis, símbolos de poder, que passariam, um a um, das mãos do rei D. Fernando para os dedos da sua adorada mulher, como prova do seu amor e do seu desejo de a proteger. Leonor Teles não esquecia que haviam pertencido ao assassino de Inês de Castro. Mas, não, apesar de partilharem o mesmo cabelo cor de fogo, a mesma paixão pela vida e a mesma ambição pelo poder, não, Leonor não teria o mesmo destino da sua prima. Seria rainha em vida. Teria o poder nas suas mãos.
Casada, mãe de um rapaz, Leonor não se deixa ficar presa nem à vida num paço perdido, nem ao senhor de Pombeiro, seu marido. Parte para Lisboa, onde a sua beleza, inteligência e artes de sedução conquistam o coração de D. Fernando e o ódio das gentes e da nobreza que a apelidam de adúltera. O tom das críticas sobe ainda mais quando corre o rumor de que se tornou amante do Conde Andeiro. Mas Leonor tem um plano e não olhará a meios para o concretizar, nem que para isso tenha de desafiar todo um reino.

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Nova entrada na Biblioteca JMO
(Colecção Histórias de Portugal e Compêndios de História de Portugal)
HISTÓRIA DE PORTUGAL
- Com a narrativa dos factos, iconografia dos Chefes de Estado, recapitulação em questionário para a 4ª Classe do Ensino primário e Admissão aos Liceus. -

Tomás de Barros

Editora Educação Nacional de Adolfo Machado - Porto

 

sábado, 5 de setembro de 2026

O Evangelho do Enforcado - David Soares


O Evangelho do Enforcado
David Soares

1ª edição Fevereiro 2010
Editora: Saída de Emergência
 
SINOPSE
Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.

Comentário:

David Soares no “O Evangelho do Enforcado” reinterpreta os “Painéis de São Vicente” e dá “corpo” ao seu (provável) autor – Nuno Gonçalves -, em torno do que constrói uma narrativa intensa e imaginativa, onde o real e o sobrenatural se entrelaçam de forma surpreendente. combinando elementos de fantasia negra, terror, aventura histórica e reflexão filosófica. Com uma escrita cativante, apelativa e expressiva, sustentada pela criação de uma atmosfera densa de fantasia histórica  e por personagens complexas, que se movem entre a luz e a sombra, entre a redenção e a perdição, marcada pelo mistério, pela violência e pela busca de sentido para a vida e para a morte, convocando temas como a fé, o poder, o destino e a condição humana.
É um romance de fantasia histórica que desafia convenções e convida o leitor a questionar certezas, em que a literatura fantástica serve também como instrumento de reflexão sobre o ser humano e o mundo que o rodeia.

Classificação: 10/10

 

Parar o vento com as mãos - Brigid Hampton

Parar o vento com as mãos
Brigid Hampton
 
Edição/reimpressão: 08-2026
Editor: Porto Editora

 
SINOPSE
Em 1939, Fanny Reiss foge da Alemanha nazi e desembarca em Lourenço Marques com os filhos mais novos, Eva, de treze anos, e Otto, de oito. Para trás ficam o marido e o filho mais velho, cujo destino desconhece.
Em Moçambique, Fanny encontra um refúgio improvável. Mas a ameaça da deportação persiste, obrigando-a a manobras perigosas para garantir a sobrevivência da família.
À medida que crescem, Eva e Otto seguem caminhos opostos. Otto parte para o Norte em busca de aventura, envolve-se profundamente com a terra, casa com uma mulher moçambicana e acaba por ingressar no combate armado. Eva adapta-se à sociedade colonial de Lourenço Marques: frequenta o Clube de Ténis, casa com o seu instrutor – membro de uma próspera família chinesa – e cria os filhos, Luís e Sofia, entre os privilégios e as convenções da elite urbana.
Enquanto a guerra de independência se intensifica, Luís enfrenta as contradições do mundo em que cresceu. Ao envolver-se com uma jovem moçambicana de forte consciência política, vê-se dividido entre a lealdade à família e o sentido cívico e social que nele desperta.
Inspirada na história da sua própria família, Brigid Hampton constrói um romance que atravessa quatro décadas, onde reflete sobre pertença, desenraizamento e a ilusão de se poder parar o vento com as mãos.

Comentário:

Há romances que contam uma história e outros que, partindo de “memórias” familiares, narram o contexto histórico de uma época, as suas rupturas, conflitos, lutas, transformações. Marcas que perduram e condicionam as gerações seguintes. “Parar o Vento com as Mãos”, de Brigid Hampton, pertence a esta segunda categoria: é uma narrativa sobre pessoas obrigadas a atravessar fronteiras, físicas e interiores, procurando um lugar a que possam chamar casa.
Inspirada nas “memórias” da família da autora, a narrativa acompanha quatro décadas de profundas transformações políticas e sociais, partindo da Europa ameaçada pelo nazismo e chegando a uma África em processo de descolonização. Entre a Alemanha, Lourenço Marques e o Norte de Moçambique, o romance constrói conta a história de família atravessada por guerras, migrações, diferenças culturais, relações amorosas e conflitos de consciência moral e política.
“Parar o Vento com as Mãos”, não se limita a contar as “memórias” da família, o vento que atravessa estas páginas é também o vento da própria História, que é também “personagem” no desenvolvimento da narrativa. A intensificação da guerra de independência de Moçambique transforma progressivamente o ambiente em que as personagens vivem. A sociedade colonial, com os seus privilégios, hierarquias e convenções, confronta-se com a inevitabilidade de mudança da conjuntura histórica. Assim Brigid Hampton, transforma as “memorias” da sua família num poderoso romance histórico.

Classificação: 9/10