
Parar o vento
com as mãos
Brigid Hampton
Edição/reimpressão: 08-2026
Editor: Porto
Editora
SINOPSE
Em 1939, Fanny Reiss foge da Alemanha nazi e desembarca em Lourenço
Marques com os filhos mais novos, Eva, de treze anos, e Otto, de oito. Para
trás ficam o marido e o filho mais velho, cujo destino desconhece.
Em Moçambique, Fanny encontra um refúgio improvável. Mas a ameaça da
deportação persiste, obrigando-a a manobras perigosas para garantir a
sobrevivência da família.
À medida que crescem, Eva e Otto seguem caminhos opostos. Otto parte
para o Norte em busca de aventura, envolve-se profundamente com a terra, casa
com uma mulher moçambicana e acaba por ingressar no combate armado. Eva
adapta-se à sociedade colonial de Lourenço Marques: frequenta o Clube de Ténis,
casa com o seu instrutor – membro de uma próspera família chinesa – e cria os
filhos, Luís e Sofia, entre os privilégios e as convenções da elite urbana.
Enquanto a guerra de independência se intensifica, Luís enfrenta as
contradições do mundo em que cresceu. Ao envolver-se com uma jovem moçambicana
de forte consciência política, vê-se dividido entre a lealdade à família e o
sentido cívico e social que nele desperta.
Inspirada na história da sua própria família, Brigid
Hampton constrói um romance que atravessa quatro décadas, onde reflete sobre
pertença, desenraizamento e a ilusão de se poder parar o vento com as mãos.
Comentário:
Há romances que contam uma história e outros que, partindo de “memórias”
familiares, narram o contexto histórico de uma época, as suas rupturas,
conflitos, lutas, transformações. Marcas que perduram e condicionam as gerações
seguintes. “Parar o Vento com as Mãos”, de Brigid Hampton, pertence a
esta segunda categoria: é uma narrativa sobre pessoas obrigadas a atravessar
fronteiras, físicas e interiores, procurando um lugar a que possam chamar casa.
Inspirada nas “memórias” da família da autora, a narrativa acompanha
quatro décadas de profundas transformações políticas e sociais, partindo da
Europa ameaçada pelo nazismo e chegando a uma África em processo de
descolonização. Entre a Alemanha, Lourenço Marques e o Norte de Moçambique, o
romance constrói conta a história de família atravessada por guerras,
migrações, diferenças culturais, relações amorosas e conflitos de consciência
moral e política.
“Parar o Vento com as Mãos”, não se limita a contar as “memórias”
da família, o vento que atravessa estas páginas é também o vento da própria
História, que é também “personagem” no desenvolvimento da narrativa. A
intensificação da guerra de independência de Moçambique transforma
progressivamente o ambiente em que as personagens vivem. A sociedade colonial,
com os seus privilégios, hierarquias e convenções, confronta-se com a
inevitabilidade de mudança da conjuntura histórica. Assim Brigid Hampton,
transforma as “memorias” da sua família num poderoso romance histórico.
Classificação: 9/10