«No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.» Jacques Bénigne Bossuet. (1627 - 1704)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O Som das Vagas - Yukio Mishima

O Som das Vagas
Yukio Mishima
Edição/reimpressão: 03-2026
Editor: Livros do Brasil
 
SINOPSE
Shinji Kubo é um jovem pescador pobre, que sustenta com o seu trabalho a mãe viúva e o irmão adolescente, na pequena ilha de Uta-jima. Um dia, ao chegar ao porto, ao entardecer, vê na praia uma rapariga desconhecida, que descansa após ajudar a trazer os barcos para terra, e não consegue desviar dela o olhar. A rapariga, Hatsue Miyata, acabara de regressar à ilha, mandada chamar pelo pai, um proprietário de barcos, decidido a adotar o marido com quem ela se casar. Os dois jovens encontram-se e estremecem, mas atingidos pela maledicência dos aldeões, e em particular de um outro rapaz, considerado um melhor partido para Hatsue, restam-lhes os bilhetes secretos, os encontros fugazes e o código moral daquela porção de terra envolta nas trevas para lhes resguardar a felicidade. Sobre o pano de fundo de um Japão tradicional, onde a força do mar ecoa as durezas da vida, O Som das Vagas é uma história de resiliência e honra, sobre o poder redentor do amor puro.

Comentário:

Um romance de rara beleza e intensidade, O Som das Vagas, de Yukio Mishima, transporta o leitor para uma pequena ilha piscatória do Japão, onde a simplicidade da vida quotidiana contrasta com a profundidade dos sentimentos humanos. 
A narrativa acompanha o jovem pescador Shinji e Hatsue, filha de uma família respeitada da ilha. Entre ambos nasce um amor puro, mas sujeito às intrigas, aos preconceitos sociais e às dificuldades impostas pela comunidade. Mishima constrói uma história aparentemente simples, mas carregada de simbolismo, onde o mar assume um papel central: é fonte de sustento, força da natureza e metáfora da vida e do destino.
A escrita de Mishima destaca-se pela elegância poética e pela capacidade de descrever a natureza com grande sensibilidade. O leitor sente o vento marítimo, o som das ondas e o silêncio das noites na ilha, numa atmosfera quase contemplativa. Ao contrário de outras obras mais sombrias e intensas do autor, o Som das Vagas revela um lado mais sereno e humanista, celebrando a juventude, a honra, a coragem e a autenticidade dos sentimentos.
Mais do que uma simples história de amor, O Som das Vagas é um romance sobre amor, respeito, dignidade e resistência perante as adversidades. É um romance intemporal, capaz de emocionar pela sua beleza simples e pela universalidade dos sentimentos que retrata.

Classificação: 10/10

 

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