«No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.» Jacques Bénigne Bossuet. (1627 - 1704)

terça-feira, 27 de julho de 2021

Factos Memoráveis da História de Portugal - Luís de Almeida Macedo

                                                    


Factos Memoráveis da História de Portugal

Luís de Almeida Macedo

Editora: Alma dos Livros

1ª edição - Setembro 2017



Todas as nações do mundo têm tido épocas de brilhantismo; esta verdade apresenta-se naturalmente ao espírito quando se indagam os seus anais: aqueles de Portugal são assaz interessantes. Desde há muito que os feitos do povo português se tornaram dignos de ocupar as páginas da História. Ou não fosse esta uma nação valente e cheia de heróis.
 
Este livro é um autêntico resumo da História de Portugal feito através da narração dos acontecimentos mais importantes e marcantes da história do nosso país desde a Antiguidade até ao século XIX. Acompanha a nação desde o berço e conduz-nos através de uma extraordinária epopeia dos feitos mais grandiosos dos portugueses através dos séculos.
 
Descubra ou recorde os episódios mais notáveis da vida da nação lusitana, num quadro autêntico e fiel que ilustra um povo único e fascinante. São mais de cinquenta capítulos com relatos brilhantemente contados e que nos levam diretamente para épocas gloriosas e de extraordinárias conquistas.

Comentário: 
Um "livro de mão" de História de Portugal, os " Factos Memoráveis da História de Portugal " escolhidos para compor este livro, permitem uma passagem "rápida" pela Nossa História. Pelo rigor da informação, ainda que resumida,  de cada facto seleccionado, é uma boa obra de divulgação histórica e de  consulta obrigatória para quem quer conhecer o essencial da História de Portugal. Sendo também um convite para ir mais fundo no conhecimento da História Pátria. 

Classificação 10/10  

domingo, 25 de julho de 2021

FELECIANO - A. M. Pires Cabral

 


    





FELECIANO

A. M. Pires Cabral 
Edições Tinta da China
1ª Edição / Junho de 2021

A.M. Pires Cabral nasceu em Chacim, Macedo de Cavaleiros, em 1941. Licenciou-se em Filologia Germânica. Foi professor e animador cultural. Publicou vários volumes de crónicas e de ficção, tendo ganho o Prémio Círculo de Leitores, o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco e o Grande Prémio de Literatura

É com orgulho como Macedense que publico esta entrada no meu "blogue"


SINOPSE

UM ROMANCE PICARESCO, RETRATO DE PORTUGAL NO SÉCULO XX

Ninguém pense que o nosso protagonista, lá por ter recebido na pia o nome de Feliciano, reforçado pelo sobrenome de Boaventura, foi um homem feliz. Pelo contrário, foi a mais infeliz das criaturas, a quem tudo de mal aconteceu na sua existência breve, desde o berço até à cova. Seria caso para dizermos que o nome da personagem é tragicamente irónico — se não soubéssemos que é antes um inofensivo divertimento do autor.

Feliciano é em primeiro lugar a história das mil desventuras de um homem malfadado, que aos poucos o vão levando à loucura e à morte. É também o retrato de uma vila do interior, com as suas figuras típicas e os seus tiques, e do seu confronto com os novos tempos que desembocam no 25 de Abril. E é ainda uma reflexão sobre o mistério da sorte e do azar.

Comentário: 
Deixou  a sua mão ensinar o caminho ao material de que disponha e construiu  uma história, contando a desventurada  vida  de Feliciano Boaventura,  caído à nascença  na teia de Madame Malapata, tão pouca ventura teve, que  se  batizado  com o nome - INFELICIANO MAVENTURA -, pela primeira vez profético teria sido o  "vinho" do padre Inácio Bulas. 
Tendo como material  uma tão mal fadada vida, contar história que viesse a ser  Obra Literária,  só se o livro se fosse escrevendo, talvez de quando em quando a si próprio,  mas sempre pela mão e com a Arte de quem escreveu. Resultou assim, graças a mão e à Arte do escrevedor, outra coisa não se esperava dessa mão, uma GRANDE OBRA LITERÁRIA.

Classificação 10/10






domingo, 18 de julho de 2021

A ESTREIA DO AUTO DA ÍNDIA - João Paulo Oliveira e Costa








A ESTREIA DO AUTO DA ÍNDIA - ROMANCE HISTÓRICO - 

João Paulo Oliveira e Costa

Edição/reimpressão: Abril de 2021

Circulo de Leitores / Editor: Temas e Debates

SINOPSe

Numa tarde de primavera do ano de 1509, a pacatez de Almada é  sobressaltada pelo aparecimento de Zeferino, um antigo degredado, regressa da Índia e encontra a sua esposa casada com o sobrinho do alcaide; o degredado percebe então que a sua morte tinha sido anunciada havia sete anos. E, embora seja atirado de novo para os calabouços, Zeferino não desiste da sua Filipa. No mesmo dia começam a chegar à vila Gil Vicente e os atores que iriam representar dentro de poucas semanas o Auto da Índia. A protagonista do auto é uma cristã-nova, de memórias tristes, que tem o seu marido na Índia. Entretanto, o desassossego toma conta da vila: Vasco de Melo, chefe dos espiões d’el-rei, e os seus auxiliares montam o cerco a um pirata e em poucos dias ocorrem quatro assassinatos, envoltos num mistério insolúvel; a única pista é uma velha, logo transformada em bruxa, mas o alcaide também levanta suspeitas. Finalmente, a vila sossega e a rainha D. Leonor assiste à estreia do Auto da Índia sem saber que perto de si está a pessoa responsável pelos terríveis quatro crimes que atemorizaram a vila; enquanto isso uma nau da Índia chegava a Cascais e o enredo teatral torna-se realidade.

Comentário:

"Em 1509, Gil Vicente produziu e apresentou, em Almada, o Auto da Índia para a rainha D. Leonor, irmã de D. Manuel I, viúva de D. João II e neta de D. Duarte." 
Partindo deste facto histórico, - João Paulo de Oliveira e Costa, em A Estreia do Auto da Índia, com uma  linguagem simples e acessível, conta uma estória dentro da história, em que a ficção (estória) se encaixa com perfeição na realidade (história), onde não falta a acção, mistério, amor, ódio, vingança. Pela qualidade da narrativa transporta o leitor para o palco da estória e da história.

Classificação: 10/10

domingo, 4 de julho de 2021

O SEGREDO DO MERCADOR DE LIVROS - Marcello Simoni







O SEGREDO DO MERCADOR DE LIVROS

Marcello Simoni

1ª Edição Maio 2021

Chancela: Clube do Autor



SINOPSE

O Segredo do Mercador de Livros transporta o leitor para a Europa do século XIII.  Numa época marcada pela ignorância, esta é a história da demanda de um homem pela sabedoria, uma busca forte e determinada que abala os poderes instituídos.

A fama de Ignazio de Toledo precede-o. O famoso caçador de relíquias viaja pela Europa medieval à procura de manuscritos raros. Quando um segredo do seu passado desperta a atenção dos frades dominicanos e ameaça o legado do rei Afonso IX de Leão, o mercador vê-se enredado num conspiração vertiginosa e sem precedentes.

Tal como já habituou os seus leitores, Marcello Simoni volta a oferecer-nos uma verdadeira viagem no tempo, não apenas pelo rigor da reconstrução histórica, mas também pelo realismo com que retrata crenças, esperanças, desejos e medos de quem viveu na época.


Comentário:


Uma demanda, na Idade Média, em busca de saberes antigos, com aventura, acção, onde não falta, mistério, intriga, vingança. Todos estes jogos de poder e interesses com contornos políticos, religiosos  e pessoais, estão bem caracterizados no contexto da Idade Média.


Classificação: 8/10


sábado, 26 de junho de 2021

TÃO PERTO ... - Maria Amália R. C.


                                                                                                       


                     




TÃO PERTO ...
Maria Amália R. C.
Projecto Foco 
1ª Edição Abril de 2021

SINOPSE

Lisboa, final do século XX, Maria do Carmo passeia toda a sua solidão pela margem do Tejo levando consigo a tristeza e o vazio de uma vida onde apenas no trabalho encontra conforto. Simultaneamente, os jovens Zé Diogo e Marta celebram pequenas vitórias e fazem entusiásticos planos para o futuro. Mas a vida é cheia de surpresas, principalmente quando algumas pessoas se consideram no direito de a manipular em seu benefício. "Tão Perto" não é só um romance de amor e enganos, é também uma história de amizade, lealdade e de um doloroso despertar para a vida.

Comentário: 

"Tão Perto..." é pela realidade - ficcionada - que nos conta, mais que uma simples estória de amor, enganos,  amizade, solidão, tristeza. "Tão Perto..." é uma "parábola" da vida de cada um, que nos demonstra que na vida o outro lado -  amor, enganos,  amizade, solidão, tristeza -  por vezes está "Tão Perto...". 

"Tão Perto..." vale a pena ser lido porque a sua "escrevedora" consegue numa escrita simples, mas estimulante, cativar o leitor página a página, levando-o a despertar para que aquilo "... que tanta falta fizera ao longo da vida, afinal sempre estivera tão preto..."

Classificação 9/10



quinta-feira, 17 de junho de 2021

D. Manuel I - Duas Irmãs para um Rei - Isabel Stilwell









D. Manuel I - Duas Irmãs para um Rei
Isabel Stilwell 

Editor: Editorial Planeta

Edição: Junho de 2020

Sinopse de D. Manuel - Duas Irmãs para Um Rei:

Uma história extraordinária  de aventura e crueldade, riqueza e desgraça, amor e ódio.

Justa, a sua querida ama, não duvidava de que era o Escolhido, aquele que as profecias anunciavam estar destinado a reconquistar Jerusalém, e a unir os homens sob a mesma Fé.

Não nasceu para ser rei, mas a roda da fortuna tornou-o duque de Beja e herdeiro de D. João II. Viu morrer o sobrinho e assassinar irmão e cunhado para subir ao trono a 27 de outubro de 1495.

As naus do Venturoso chegaram à Índia e ao Brasil construindo um Império, digno do rei mago do Ocidente, como, em segredo, se intitulava.

Ao som da música, tornou Lisboa no centro do comércio das especiarias, as suas ruas animadas por mercadores, espiões, intrigas e riquezas nunca antes vistas.

Isabel, viúva de Afonso, filho de D. João II, resistiu ao casamento. Queria viver a sua tristeza em paz. Mas Manuel era determinado. Desde aquele dia em que os seus olhares se cruzaram em Moura, sabia que Isabel havia de ser sua. Por ela faria tudo, inclusive expulsar os hereges de Portugal, e depois os judeus. Mas mais uma vez a roda da fortuna girava e a sua felicidade durou pouco.

Isabel morria no parto, e o seu único filho não sobreviveria. Era preciso garantir a descendência. Maria, irmã de Isabel, esperara, apaixonada, e o seu tempo tinha chegado. Seria rainha de Portugal e mãe de dez filhos, entre eles seis varões.

 Comentário:

Isabel Stilwell, mais uma vez,  em - D. Manuel I - Duas Irmãs para um Rei - dá "vida" à História, com  sua arte de contar  "estorias",  transporta o leitor para o final do sec. XV - inicio do sec XVI,  pela sua "pena" estamos presentes  no dia a dia da corte do Rei D. João II e D. Manuel I, assistimos ao "acontecer" da história,  tal é a  verossimilhança da sua narrativa, pela forma perfeita como a ficção se mistura com os factos históricos, sempre enquadrada no contexto da época, sem por em causa a verdade histórica. 

Classificação: 10/10


terça-feira, 25 de maio de 2021

Perguntas & Respostas sobre a História dos Açores - Luís Mendonça


 






Perguntas & Respostas sobre a História dos Açores
de Luís Mendonça 
Editor: Letras Lavadas


SINOPSE
Perguntas & Respostas Sobre a História dos Açores permite que em 70 perguntas, o autor esclareça parcelas importantes da memória colectiva dos Açores, que fazem parte de uma História com mais de 500 anos.
Trata-se de uma forma diferente de interpelar o passado, que permite despertar a curiosidade pela História dos Açores e fornecer, através de uma escrita fluída, respostas concisas e objectivas às diversas questões colocadas. Paralelamente, a obra procura contemplar as diferentes épocas e temáticas da realidade histórica insular, em estrita relação com a História nacional.


Comentário:
Um livro de História com uma estrutura pouco usual, -Pergunta/Resposta - de consulta rápida, mas que numa linguagem simples e acessível, esclarece o quanto baste. Para o leitor que quer aprofundar  os temas tratados é um optimo ponto de partida, um convite, para "mergulhar" mais fundo nas particularidades da História dos Açores.

Classificação: 10/10





sábado, 22 de maio de 2021

Portugal, Razão e Mistério - António Quadros


 

Portugal, Razão e Mistério
António Quadros
Edição/Reimpressão: 03-2020
Editor: Alma dos Livros



"Acreditem em Portugal, porque Portugal está no mais fundo de cada um de vós e sem Portugal sereis menos do que sois."
                                                                                                     António Quadros- Março de 1993

António Quadros, nasceu em Lisboa, no dia 14 de Julho de 1923, filho dos escritores Fernanda de Castro e António Ferro. Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo cerca de 35 obras publicadas. Recebeu diversos prémios pela sua atividade literária e colaborou em diversas publicações. Escreveu para o Diário de Notícias, o Diário Popular, o Jornal de Letras e a revista Ler, entre outras. Fez traduções de autores franceses, entre os quais Georges Duhamel, André Maurois, Jean Cocteau e Albert Camus.
Brilhante conferencista e orador, dirigiu o Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, fundou o IADE, onde lecionou História da Arte. Pertenceu ao Grupo da Filosofia Portuguesa e integrou também a International Society for Education through Art, órgão consultivo da UNESCO, de que foi delegado em Portugal até 1981.
Faleceu no dia 21 de Março de 1993, Dia Mundial da Poesia.

SINOPSE - Portugal, Razão e Mistério.

A razão de Portugal, a razão de ser deste país antigo, encontra-se envolta na mais densa bruma. Tornou-se um mistério ou é um mistério? A emergência da nação lusíada, o seu destino inesperadamente fulgurante, o seu projecto áureo, a sua persistente resistência à adversidade, a sua longa e relutante decadência, os seus mitos de regeneração, as suas obras de génio, tudo é hoje interpretado casualmente, a partir de teorias da história opacas, diminutivas, reducionistas, que no fundo espelham o dominante espírito dominante da nossa época positivista, materialista, utilitarista.
Portugal, Razão e Mistério é por uma parte a razão, razão teleológica, que guiou a inteligência portuguesa na aventura do seu ser e do seu estar no mundo, e por outra parte o mistério, subjacente ao seu destino glorioso e infeliz, universalista e contudo sempre problemático.
Ao abordar temas como a caracterização de um Portugal arquétipo, a Atlântida finalmente identificada com a civilização megalítica galaico-portuguesa ou as raízes templárias, cistercienses e joaninas do nosso país nos seus primeiros séculos, e, seguidamente, o que foi o projecto áureo de um Império do Espírito Santo, e depois os caminhos labirínticos para onde nos levou a saudade da Pátria prometida em termos cíclicos de mito, de decadência e de desejo regenerador, António Quadros procura mostrar-nos simultaneamente um Portugal profundo, um Portugal imaginário e também um Portugal ainda potencial, que depende menos de uma vontade política do que de um saber da sua essência ocultada e esquecida.

Comentário:

PORTUGAL RAZÃO e MISTÉRIO – António Quadros

“ UMA DAS MAIS IMPORTANTES OBRAS SOBRE A HISTÓRIA DO NOSSO PAÍS “

Pensa PORTUGAL, numa reflexão Filosófica sobre a Nossa História – do antes e do durante de Portugal – levando-nos numa procura – metafísica – à descoberta do “SER”, da razão do “SER” e o mistério de “SER”. É a resposta – às questões – “de onde? ”; “o quem”; “o porquê?” de Portugal, concluindo, - com Fernando Pessoa -, “Senhor, falta cumprir-se Portugal”.

Diria que é a mais importante obra de Filosofia da História de Portugal.

Classificação 10/10

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A CASA DOS LÓIOS - Rui Alcântara Carreira












A CASA DOS LÓIOS
Rui Alcântara Carreira
1ª Edição: Novembro 2017
Editorial Novembro

 SINOPSE

Nesta narrativa, de carácter marcadamente histórico, poder-se-ão identificar três elementos fundamentais, intrinsecamente articulados ao longo do respetivo enredo.
Desde logo, ter-se-á que destacar o Porto, porquanto cidade em constante transformação e protagonista de alguns dos episódios mais marcantes da história de Portugal, aqui oportunamente evocados.
Também o atual Largo dos Lóios – antiga Praça de Santo Elói – é merecedor de especial relevância. O mesmo constitui, para muitos, um dos locais mais emblemáticos da cidade invicta, tendo beneficiado, ao longo dos séculos, do facto de se situar numa área privilegiada do tecido urbano, permitindo-lhe testemunhar – e, naturalmente, refletir – as distintas realidades política, social e económica aqui vividas em diferentes épocas.
Uma casa, em particular, bem como aqueles que nela habitam, assumem também, por sua vez, uma importância singular nesta narrativa. Com efeito, no número quinze do Largo dos Lóios, definem-se sucessivas vivências quotidianas, moldadas, sem surpresa, pelos diferentes ritmos e transformações que, gradualmente, são impostos à própria cidade.
Os factos e acontecimentos aqui descritos são, na sua essência, reais. Alguns deles, porventura, poderão ser tão-somente verosímeis.
A Casa dos Lóios existe, verdadeiramente. Tendo sido projetada em 1840, seria edificada pouco tempo depois, expondo-se aos olhos de todos, orgulhosamente, a partir desse momento. Assumiu a condição de verdadeiro lar, tendo acolhido, durante décadas, uma família tradicional burguesa de “portuenses de gema”. Um reduzido número de outros residentes e, sobretudo, um amplo leque de visitas da casa, mais ou menos habituais, tornariam particularmente animadas as rotinas aqui estabelecidas.

Comentário;
A Casa dos Lóis,  a Casa do Largo -"o palco" - da história da família que albergou, entre séc. XIX - XX, situada na baixa da  cidade do Porto. Cenas - da vida dos Sousa Nogueira, retractando como vivia uma família da "classe média"  no decorrer dos séc. XIX - XX, com mais ou menos dificuldades, casamentos, nascimentos, mortes, as alegrias e tristezas, bons e maus momentos, mas sempre ligados pelo amor à família e à Cidade.
A Casa dos Lóis que, da varanda do 4º piso, fronteira ao Largo, viu crescer a cidade e foi testemunha da sua história , conta, como evolui  a sociedade e a cidade durante este período, numa declaração de "amor" à cidade do Porto.

Classificação: 9/10

sábado, 24 de abril de 2021

TEMPO DE FUGA - Amadeu Lopes Sabino












TEMPO DE FUGA
Amadeu Lopes Sabino 
1ª edição/ Janeiro de 2021
Porto Editora

Tempo de Fuga, romance de Amadeu Lopes Sabino, que retrata as peripécias de um alto funcionário do Ministério da Economia do salazarismo que vende aos serviços secretos espanhóis pequenos segredos que faz passar por grandes. Mas porque, para Jorge Mathias, a espionagem é um jogo, conspira também com o Partido Comunista e parte para a República Democrática Alemã, onde a sua vida irá mudar irreversivelmente.

Comentário:

        Sabino, criou um "novo género literário" - Biografia de Ficção - em que personagens caricaturais e reais, convivem   num cenário de uma realidade ficcionada de uma simbiose perfeita em que todo o real é irreal e todo o irreal é real.  

Classificação: 10/10

domingo, 18 de abril de 2021

O Julgamento de Hipócrates - José Eduardo Carvalho

 








O Julgamento de Hipócrates
José Eduardo Carvalho
Letras Lavadas Edições
SINOPSE

Acontecimentos bizarros ocorrem no Hospital-Prisão de Água d’Alto, situado na vertente sul-leste da ilha de São Miguel, nos Açores. O complexo prisional integra o Centro Hipócrates de Estudos Biomédicos, criado e dirigido por Ramon Árias, médico-cirurgião, de origem peruana, que se proclama descendente do povo Atlante, que governou o continente da Atlântida, antes de submergir tragado pelas águas do oceano.
A fuga de um recluso, repatriado dos EUA, leva à denúncia dos estranhos casos clínicos e, num ápice, chegam ao conhecimento de uma jornalista do “Notícias dos Açores”.
Com o processo-crime “Operação Hipócrates” instaurado pelo Ministério Público, Árias é constituído arguido e levado a julgamento.
Paralelamente, Bárbara do Canto, diretora do Instituto de Geofísica e Vulcanologia está preocupada com o recrudescer da atividade sísmica do maciço vulcânico da Lagoa do Fogo que ameaça a sobrevivência do complexo prisional de Ramon Árias. Além do vulcanismo, há outra turbulência na vida de Bárbara: Gustavo Daguerre, fotógrafo freelancer da Geographic Magazine, interessado em fotografar a paisagem vulcânica. Entre eles nasce uma atração tão fulminante que supera a diferença de idades que os separa.
Ao longo dos dezasseis capítulos, a narrativa vai alternando a loucura de Ramon Árias com a paixão de Bárbara do Canto. De uma e de outra pode brotar a tragédia.

Comentário:
Um Romance de ficção - que é mais que um romance de ficção -  duas estórias distintas, a de Ramon Árias, médico-cirurgião, de origem peruana, Director do Hospital-Prisão de Água d’Alto  situado na vertente sul-leste da ilha de São Miguel, nos Açores. O complexo prisional integra o Centro Hipócrates de Estudos Biomédicos, criado e dirigido pelo próprio  Ramon Árias. Narrada em paralelo com a de  Bárbara do Canto e Gustavo Daguerre. Se esta é uma vulgar estória de amor, com as dúvidas e incertezas "normais" de uma estória do amor, onde também não falta, em vez de um final feliz, um final trágico para por fim aquele amor que para Bárbara do Canto e Gustavo Daguerre. era improvável. ´Na outra estória, - também de ficção -, conta os acontecimentos bizarros que ocorrem  no Centro Hipócrates de Estudos Biomédicos, criado e dirigido por Ramon Árias, um louco (?), ou um homem sem escrúpulos nem princípios, que ultrapassa os limites da ética na investigação médica e não respeita os direitos humanos dos presos do Hospital-Prisão de Água d’Alto,  Esta narrativa leva o leitor a questionar quais os limites éticos da ciência, versos, os direitos humanos. É por isto  que é mais que um romance de ficção.

Classificação 8/10

sábado, 10 de abril de 2021

Os Canibais e Outros Contos - Álvaro Carvalhal

Nova entrada na Biblioteca JMO

Os Canibais e Outros Contos

Álvaro Carvalhal

Editor: Livros do Brasil

Colecção: Clássicos Portugueses

Edição/reimpressão: 04-2021

ÁLVARO DO CARVALHAL Nasceu em Padrela, no concelho de Valpaços, a 3 de fevereiro de 1844. Iniciou a sua atividade literária com 17 anos, quando, ainda aluno do liceu, publica a peça O Castigo da Vingança. A escolha de temas profundamente inquietantes, onde se cruzam o fantástico, o exótico, a ironia e o medo, fazem dele um caso singular na literatura oitocentista portuguesa. Longo seria o caminho até que as letras portuguesas lhe abrissem o seu corredor, reconhecendo o valor inestimável das narrativas recolhidas em Contos, que tentou ao máximo preparar antes de ser vitimado por um aneurisma. Morreu a 14 de março de 1868, com apenas 24 anos, enquanto frequentava o quarto ano de Direito na Universidade de Coimbra.

SINOPSE

Acometido por um aneurisma, Álvaro do Carvalhal esforçou-se até ao fim para terminar os seus Contos, seis histórias de humor negro onde o sobrenatural invade, sem concessões, o consciente do leitor. Nesta viagem, será impossível desviar o olhar dos fantasmas que se abeiram para dominar a noite, esquecer as trágicas vidas dos casais interrompidas pela vingança e pelo ciúme, ou o delírio de um jogador viciado. Em «Os Canibais», o conto de culto do género fantástico português que empresta o título a este livro, adaptado habilmente ao cinema por Manoel de Oliveira, seguimos o desespero de Margarida e do visconde de Aveleda, separados por um corpo monstruosamente mutilado… Embora excluído do cânone literário oitocentista por ser tido como escritor maldito, Álvaro do Carvalhal ensaia aqui uma das experiências mais notáveis do romantismo português, dada à estampa pela primeira vez em 1868